sexta-feira, 2 de julho de 2010

Capítulo 2

Ele estava ai parado bem na minha frente sorrindo, confesso que até me belisquei pra saber se era mesmo verdade, mas era o meu Jeremy estava parado ali na minha frente, não conseguir dizer nada, só fiquei parada em choque, ele me perguntou:
-está sozinha, está muito longe de sua casa?
Eu não sabia o que falar, eu não conseguia falar, então fui tentar responde-lo comecei a gaguejar, mas conseguir falar:
-sim estou sozinha, na verdade não sei onde está minha casa, fui rodando sem rumo e parei aqui.
Ele sorriu, e perguntou:
-Como uma pessoa pode não saber onde está, olha to esperando o Paul vir aqui me buscar porque meu carro está no concerto, não vou te deixar sozinha aqui, você vai comigo, depois pega um taxi e fala o seu endereço pra ele.
Eu estava paralisada, Jeremy Winston estava parado na minha frente conversando comigo e ainda me chamando pra ir pra casa dele, eu não conseguir dizer nada apenas sorri.
Ele disse:
-isso deve querer dizer um sim né? E sorriu.
Paul chegou, meu Deus estava lindo, mas não se comparava ao Jeremy, quando chegamos em sua casa, ele ligou a lareira e me deu roupas secas, acho que eram de sua namorada, foi ai que me lembrei dela, mas não conseguia falar nada, ele então me falou:
-Você deve está com fome vou fazer um sanduíche para você.
Eu sorri apenas sorri.
Achei engraçada a forma com que ele se preocupou comigo, tão atencioso... Mas ele não estava fazendo nada de anormal. Eu era a visita, ele o dono da casa. Só estava me tratando bem. Deixou-me esperando na mesa e foi pra cozinha, de onde voltou 15 minutos depois com dois sanduíches extremamente tortos (porém muito gostosos).
- Eu sei que não está muito bonito, mas... – ele justificou passando a mão na cabeça e rindo – fiz o melhor que pude!
-Não está uma obra de arte, mas da pra comer, eu respondi, ele sorriu.
Estou indo pro ensaio da banda agora. Posso te dar uma carona pra casa. Não tem desculpa pra não aceitar! – disse ele, mais simpático impossível. - Mas eu não estou muito a fim de ir pra casa agora... Pode deixar que eu volto mais tarde sozinha – respondi com visível desânimo. Aquilo foi o bastante para ele perceber que havia algo de muito errado comigo. - Qual o problema? – ele me perguntou com tom sério. - Nada... Só gosto de ficar sozinha às vezes. – menti. - Sozinha? Hm sei. Não é preciso te conhecer muito pra ver que você não está falando a verdade. - Não estou mentindo! – insisti. - Eu sempre soube que tinha cara de idiota, mas não a esse ponto! – respondeu rindo. Seu bom humor era inabalável. - Ok, Jeremy, você venceu. Eu tenho meus problemas sim, mas te contar eles não vai me ajudar. – cheguei a ser um pouco grosseira, mas era a única forma dele parar de tentar me ajudar. - Se não quer me contar, tudo bem. É compreensível, sou só um estranho. Mas, se precisar de um amigo sabe onde eu moro. Por via das dúvidas... – parou de falar e pegou meu caderno. pegou uma folha em branco (e graças a Deus não chegou até a capa, onde ficava a foto dele). Lá anotou algo, rasgou o papel e o estendeu para mim após fechá-lo. Fiz cara de questionamento e ele disse o óbvio: - Meu telefone. Agora que eu e o resto da banda nos acomodamos, tenho tido tempo de sobra. Pode me ligar pro que precisar. – sua expressão estava séria como eu raramente tinha visto antes. - Não quero te incomodar Tom. – falei no mesmo tom que ele. - Não vai ser nenhum incômodo. Parece-me que você precisa de alguém, e se alguma outra pessoa não pode te ajudar, farei o possível pra conseguir. - Quem disse que outra pessoa não pode me ajudar? – menti ao ver que ele percebeu o quanto eu era solitária. - Até parece que não seria incômodo!- Se você tivesse alguém bom o suficiente pra te ajudar, não estaria em uma rua desconhecida em uma chuva dessas. – era perceptível que essa não era a intenção dele, mas senti todas aquelas palavras serem esfregadas com fúria na minha cara. - Como você sabe que eu não tenho ninguém, eu posso até ter sabia.
– eu já estava gritando de tanta raiva. Ele podia ser mais velho e mais experiente, mas ele não tinha o direito de saber tanto sobre a vida. Principalmente sobre o meu tipo de vida. - talvez porque você estava sozinha, não me parece que tem muita gente em quem confiar – ele me respondeu o óbvio. É passar todo aquele tempo ao lado dele me fez esquecer o tempo que passou.

Vi-me na frente dele sem argumento. Uma mentirosa, problemática, sozinha. De repente, desabei no ar em meio às minhas lágrimas. Não chorava na frente de ninguém há anos, muito menos me abria pros outros. Os únicos que sabiam meus segredos, meus problemas, minhas lástimas eram os inúmeros “Jeremys” que havia no meu quarto, fosse em revistas, pôsteres, encartes de CDs ou até mesmo na minha imaginação. Parece que eu havia me esquecido que aquele Jeremy não era uma foto, não era uma voz, não era o meu travesseiro. Ele era o Jeremy real e tinha a vida dele. Por outro lado, os outros “Jeremys” viviam pra mim, ficavam comigo 24 horas por dias e estavam me protegendo em qualquer lugar que fosse. Pra minha surpresa, ele me segurou e me sentou no sofá, sentando-se ao meu lado. Ele me abraçou em forma de proteção e posicionou minha cabeça em seu peito. Ele não falava nada, só o que se ouvia na sala era o meu choro infantil. Aos poucos fui me acalmando e pude ouvir o coração dele. No momento estava calmo, assim como sua respiração no meu cabelo. Aquilo me acalmava. Parecia o que minha mãe fazia comigo quando eu era pequena. Comecei a ver que era assim que ele me via. Uma criança. Eu não passava de uma criança pra ele. Eu não me importava, só queria a companhia dele. Quando vi que ele iria se atrasar pro ensaio, segurei o resto das lágrimas, me levantei rapidamente me desvencilhando dos braços dele, limpei as lágrimas restantes nas minhas bochechas e me desculpei com muita vergonha. Ele sorriu pra mim e me deu um abraço apertado (porém macio, assim como seus braços). - Era sobre esse tipo de ajuda que eu estava falando. Parece que você não a tem há muito tempo. – falou baixo perto do meu ouvido. Aquilo era uma tortura. - Obrigada Jeremy. Agora é melhor você se apressar, já deve estar atrasado! – falei nervosa. - Não se preocupe com isso, os meninos vão entender. Aceita a carona agora? – respondeu ele com aquele sorriso perfeito.
-fazer o que, mas ficarei sozinha em casa e está fazendo frio lá fora,
Ele sorriu e entrou para o quarto e voltou com aquele casaco verde tão dele, que eu sempre o via com ele, mas achava que isso nem existia mais, achava que a Giovanna já tinha jogado fora, mas não estava ali comigo, foi quando ele disse:
- Pode ficar pra você, como uma lembrança.
Eu sorri, e respondi:
- O melhor presente que já ganhei em toda minha vida.
Ele me levou, chegamos na minha casa, ele falou bom saber onde você mora irei vir visitá-la,eu sorri,e respondi:
- Obrigada, obrigada mesmo
Ele sorriu o sorriso mais lindo que ele já tinha dado em toda a sua vida.
Há essa hora, não tinha ninguém na rua, ainda bem eles são tão fofoqueiros que achariam que eu estava fazendo algo errado.

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